terça-feira, 10 de maio de 2016

Primeiro tira da tua cabeça essa ideia vazia de achar que eu estou infeliz. Depois despede-te desse discurso de que quem muito escolhe acaba por ficar sozinho. Queres saber porque estou solteira?
Bom… Não quero embarcar numa viagem com alguém carregando as bagagens do passado, não quero conhecer outro mundo se ainda não consegui conhecer o meu.
Não quero magoar o coração de ninguém com as minhas incertezas, não quero falar do passado, nem lembrar dele.
Não estou machucada, não estou magoada, só que de tanta coisa que acontece na nossa vida, chega uma hora que nós nos cansamos, entendes? Não estou numa fase de sair e “tentar” dar certo, quero que dê certo mas não com alguém que nem perde sequer um segundo para me ligar e saber como estou.
Não quero investir o meu tempo com alguém que não investe o seu em mim, que não se importa e que só me magoa. Entendes? Eu estou feliz assim, para quê decepcionar-me mais uma vez?
E se eu quiser terminar de ver a minha lista de séries? E se eu quiser viajar, conhecer o mundo, aprender um novo idioma, conhecer novas pessoas, outros lugares…
Na verdade é isso que eu quero. Na verdade eu estou solteira porque eu quero mais… Eu quero alguém que não me prive de viver, que divida as suas dores, que me veja como abrigo e que me acolha com um abraço quando eu não estiver bem. Na verdade quero alguém que aumente a minha lista de séries com as suas dicas e que fique comigo num sábado à noite, no final de mês, quando o dinheiro estiver curto e eu não estiver a fim de sair. Eu quero alguém que não tenha vergonha de me assumir para os amigos e que não tenha medo do compromisso.
Não estou à espera do príncipe encantado – eu sei que é isso que tu pensas – mas e daí se ele não abrir a porta do carro para mim e não vir num cavalo branco? (risos)
E daí se ele não pagar a conta do jantar sempre que sairmos e quiser ver um filme em casa porque está sem dinheiro para sair? Eu sinceramente não me importo com isso. Não estou à espera de alguém para pagar a conta, não estou à procura de alguém para me levar para sair todos os dias, nem para me levar de carro para todo o lugar ou para me dar presentes a toda a hora.
Não quero jóias, roupas caras, perfumes caros, jantares caros, carro luxuoso. Não é isso que procuro em alguém, até porque se para ti essa é a concepção de homem perfeito (ou seja, rico), se para ti isso é o que caracteriza um príncipe, eu definitivamente prefiro sapos.
Quero alguém que eu diga: Vamos? – vamos!
Quero mais… muito mais. Quero alguém que me inclua nos seus planos, que me irrite na mesma proporção que desperta o meu amor. Que seja inteiro e intenso, não precisa ser perfeito. Quero alguém que me respeite e respeite os outros. Aliás, respeito é algo fundamental.
Eu estou solteira porque relacionamento não é tentativa, não é oportunidade, é investimento. Investimento de tempo.
Eu estou solteira porque talvez eu queira curtir essa fase sem ninguém, quero organizar a minha vida, refazer os meus planos. Eu estou solteira porque estou bem assim, porque não quero alguém para me diminuir, quero alguém que venha para somar.
Então parem com esse discurso chato de que preciso de alguém, parem de me perguntar “Credo, mas tu és tão bonita e estás sem ninguém?”, parem de querer empurrar-me para alguém, parem de dar o meu número de telefone para alguém e querer dar uma de cupido, isso é extremamente chato, acredita. Quando eu tiver interesse eu vou atrás, fica tranquilo. Pouco me importa se tu achas isso vulgar ou inadequado para uma mulher. Podes deixar que quando acontecer eu vou saber o que fazer, não precisas ficar perguntando quando é que eu vou assumir ou trocar o status nas redes sociais. Isso não te diz respeito.
Eu estou solteira porque sim, porque quero e porque estou bem assim.
Eu estou solteira porque chega uma hora em que tu te cansas de acreditar, em que tu te cansas de criar feridas e de te recompores. Estou solteira porque às vezes a gente precisa de um tempo só nosso e de não ter ninguém a ocupar o nosso pensamento, nem a travar o nosso tempo.
Se for para namorar e só brigar, viver chorando, viver magoando-se, se for para namorar para trair, para sofrer, para não ter respeito eu prefiro estar solteira. Se for para namorar para escrever textão na internet mas na verdade viver uma mentira, eu prefiro estar solteira. Se for para namorar para ter alguém pela metade, eu prefiro estar solteira. Se for para namorar para deixar de ser quem sou, ter que mudar o meu jeito, os meus gostos e não ter os meus defeitos aceites pelo outro, eu prefiro ficar solteira.
Eu estou solteira porque mereço muito e quero muito. Estou solteira porque não quero alguém que faça do meu passado um presente e dos meus erros um açoite. Não, eu não quero qualquer coisa, qualquer pessoa, qualquer sentimento, qualquer história, qualquer frio na barriga… Eu estou solteira porque não quero ninguém do meu lado pela metade, sou inteira demais para isso. E para finalizar, eu não estou a escolher, eu estou a esperar. A esperar pelo meu tempo". 


Autor desconhecido 

terça-feira, 8 de março de 2016

E muda a estação, mais uma vez.
Trocaria esse peso por um vinho e uma dança descompassada na sala da tua casa.
Eu passo. Devaneio e tango no calor da pele. Da minha na tua.
Meu caminho, que já trilha longe do trilho, tem medo de encontrar o teu.
Encontrar por acaso o acaso forçado.
A minha arte pinta na tua cara o que não quero que veja. Meu lar é onde repousas a alma.
Meus olhos são onde tu repousas os teus e me preocupa a tua procura.
É que me perco quando tu os pousa em mim. Pousa o brilho dos teus na insuficiência dos meus. E me faço espelho quando você sorri.
Sufoca me o apreço que sinto.

domingo, 1 de março de 2015

O canto da sala, no canto escuro da mente.
Cadeiras vazias, mesas vazias, pensamentos vazios. Sala vazia.
As botas deixadas na porta.
O fim.
Viajo, percorro milhares de quilometros em um segundo e não consigo sair do lugar.
E paro. E penso.
Fim.
Quero ir, não sei.
Quero ficar, não sei.
Deixo fluir, ou não.
Não flui. Não sai. Não fica, não vai.
E eu sinto o pouco de mim morrendo as poucos. Mas nada. Mais nada. Nada mais.
Enfim, fim.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Não sou o mesmo. O sol permanece o mesmo.
Amanhã não serei o mesmo de hoje. O sol, será.
Mesmo quando eu não mais estiver, o sol estará.

As pedras rolam. O vento continua tocando em direções diversas.
As flores não deixam de nascer. A lua sempre terá suas fases.
Eu não. Eu não.

E se fui e não sou mais, não me culpo. Me perdoo. Me compreendo.
A mente flutua, renasce, toca em direções diversas.
A mente rola, a mente tem suas fases.
Mesmo quando fecho os olhos da alma, a mente permanece.
E mesmo quando eu não mais estiver, o sol... o sol estará.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Um PRO sorriso

Para!
Um sorriso. Só. Que dá forma às curvas, que dá vida às falas, que permeia e reforma. A forma do rosto de mil formas. O molde, o encaixe. Sutil.
Aura sublime, concreta e personificada na boca. Na tua. Me encontro perdida na sua solidão.   Poderia me deixar levar. Revelar e relevar a negação. A solidão do seu “só” é mais sozinha que do meu. Faz-me recuar. Faz-me temer. A dualidade me cala e me afaga. Supre-me.
O sorriso que alimenta meu silêncio. Que dá medo a meu ver. Que dá medo, a meu ver. Suprima.
Sublime. Silêncio. Sombra suave e solta. Beira os lábios, beira o timbre do prazer de ouvir a voz arrastada. Permito-me sonhar, pra que volte. Pra que volta e me causa revolta? Me ocupa. Paro. Só um sorriso. Seu.

sábado, 19 de outubro de 2013

Face 1

Aos poucos, os pontos de luz vão sumindo. Os sons da cidade são cobertos pelo silêncio, como um véu. A fumaça do cigarro que acaba de acender preenche a sacada, enquanto seus pensamentos preenchem as lacunas deixadas pelo silêncio. Perde-se aos poucos dentro de si, debaixo do leito da lua. Sente-se como se fosse o leito da lua. E o vento. O vento.
Flutua.
Sabe que pode ser não apenas parte da noite, como já se sente membro daquele céu, de todo o espaço, do seu próprio espaço. Espaço antes preenchido pela escuridão da noite, agora lapidado e colorido nos tons das memórias mais recentes.  Constrói aos poucos suas histórias. Seu começo, meio e fim. Seu começo meio fim.
Tenta tingir suas memórias de vermelho. Tenta fazer desabrochar algumas rosas. Tenta adivinhar em qual dessas paredes que o amor decide aparecer. Não vê.
Tenta uma nova cor. Um azul. Cor do céu de dia, cor da vontade de voar. Não vê.
Até todas as cores inimagináveis serem sobrepostas, atingindo um branco. Por fim, percebe que, de olhos vendados para a vida, jamais verá o essencial.
As cores da vida, as cores do interior. As cores das faces e dos olhos dos apaixonados.
Grito.

sábado, 20 de julho de 2013

20/07

Presente. Presentes presentes. Presentes passados.
Memórias. Fantasmas.
A vida puxando a morte pra debaixo do tapete. Escondendo a memória com idéias. Fantasias. Fantasmas fantasiados.
Preenchendo o vazio. Procurando na estante aquele instante perdido. Que só se acha na memória. Vaga.
Breve. Leve. Curto. Breve.
O que não houve à quem não me ouve. O que não houve nem há de haver. Nem "A", nem nada.
Dois picos sem ponte. O vazio do presente. O futuro não há de haver.
Ou haverá?